terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Não deixe as lágrimas caírem.



Aquela manhã era mais uma como outra qualquer, sabia como seria até terminar o meu dia, pois fazia alguns meses que estavam sendo todos iguais.

Hora de trabalhar, esperar mais um pouquinho e você logo passa, direto, sem nem olhar para mim, me sentindo despedaçada outra vez, isso estava sendo comum durante aquelas dias.

Horário de almoço, você entrou na loja, coração pulando, mas você não poderia perceber que estou tremendo. Me aperto por dentro e tento ficar o mais séria que eu posso para não poder abrir um enorme sorriso, pois era o que estava querendo, dar o maior sorriso. Tenho que me manter firme e fingir não me importar. 

Você passou, mas claro não me notou, queria que me olhasse. Entrou na loja mais uma vez e sorriu pra mim, passa e me avisa que precisa falar comigo.

- Não tenho absolutamente nada para falar com você! - Afirmo.
- Por favor, me dê uma chance para me explicar.
- Não deveria, mas te darei a última chance de se explicar, a final, não se pode negar a palavra a ninguém. - Uso suas palavras. 
- Obrigada. Mais tarde na praça conversamos?
- Me convença! 

Enfrentar mais quatro horas de trabalho, angustiada por querer que a conversa não seja como a última que tivemos, seja para me dizer o que realmente estou querendo ouvir, mas infelizmente sei que a conversa irá terminar como sempre, com seus sorrisos e minhas lágrimas. Porém prometi que que não iria derramar nenhuma lágrima, seria forte e encararia a situação da melhor maneira possível, nem que tivesse de me conter até chegar em casa e colocar a música mais triste do meu celular e me acabaria em lágrimas.

Hora de encontra-lo, na praça, no nosso banco, onde registramos nossas iniciais e um belo coração entre elas. Chegando perto, você estava lá me esperando.

- Não aguentava mais ficar sem te ver. - Afirma.
- Me poupe, me lembro muito bem da nossa última conversa. - Risada de deboche.
- Dessa vez é diferente, estou realmente pronto para assumir o que realmente sinto. - Se aproximando.
- Eu também, sinto desprezo pelo o que fez comigo. - Reviro os olhos.
- Me desculpe, mas precisava que você entendesse a minha situação. 

Me levanto, não consigo encarar isso de novo. Ele me puxa. Meu coração pula.

- Não quero mais entender absolutamente nada! - Afirmo,
- Me deixe explicar.
- Foi um erro estar aqui, você não deveria estar aqui, não deveria te dar mais uma chance de se explicar.
- Deveria sim, pois tenho muito a dizer. - Assente,
- Me poupe. - Reviro os olhos.
- EU TE AMO! - Fala o mais alto que pode.
- Esta brincando comigo? 
- Eu te amo, sempre te amei, mas achei que não era o suficiente para você. Achei que merecia algo melhor, mas hoje sei que sou um idiota por pensar assim. Se eu posso te fazer feliz, eu sou o suficiente para você. Quero te fazer feliz, e sou capaz disso. Me deixe tentar? - Com esperança nos olhos.

Observo a situação, em choque. Eu prometi para mim, eu prometi quando estava a caminho, mas eu não vou conseguir me conter. Que droga! as lágrimas já começaram a cair.

Continua..